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A todo momento
desejo o esquecimento
da indelével imagem de ti.
Coisa que detesto e renego,
mas que permanece ali,
inerte ao andar do tempo,
ferindo até o sangrar do ego,
cujo orgulho é tremendo.
Tal espectro se me afigura
por todos cantos da cidade
e me enegrece e amargura
os recônditos da personalidade.
O que antes fora apenas
uma faca ao peito a me pungir
atribuo-a agora ao mundo todo
e de gente, tento fugir.
Descabidos são os consolos do budismo.
Se tudo fosse Um, o que agora sinto eu,
sentiria também tu, e depostos de cinismo
não mais nos magoaríamos.
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